O AI Mode já ultrapassou a marca de um bilhão de usuários ativos mensais em todo o mundo. E o Google acaba de publicar um documento, baseado no Google Trends, que analisou o comportamento dos usuários dos EUA ao longo do último ano, desde o lançamento até agora.
Apesar dos dados serem americanos, trouxe aqui porque acredito que eles oferecem bons insights sobre o caminho da criação de conteúdo à medida que o uso da IA pelos usuários se amplifica.
O Google ainda é a principal ferramenta de busca no Brasil, portanto, qualquer mudança que venha dele é muito importante. Nota-se que a pessoas não estão apenas pesquisando mais, estão pesquisando de forma diferente.
Ficou bastante claro que o AI Mode reduziu o tráfego orgânico, mas será que ainda é possível manter a relevância mesmo com a ampliação da presença da ferramenta nas pesquisas? Vamos avaliar as brechas neste artigo.
As palavras-chave ainda importam no AI Mode?
Na minha opinião o AI Mode não acabou com as palavras-chave, ele mudou a lógica por trás delas. Em vez de otimizar para termos isolados, o criador de conteúdo precisa agora responder perguntas reais, específicas e em linguagem natural.
Mas o Google apresenta o assunto de uma forma que deixa claro que elas perderam centralidade, já que as pesquisas passaram a ser mais específicas e com textos mais longos.
A empresa afirma logo na primeira página (com letras bem grandes) que, no passado, as pessoas transformavam perguntas em palavras-chave para aprimorarem suas buscas. Agora, com recursos de IA incorporados na pesquisa, os usuários podem fazer as perguntas que realmente estão em suas mentes, receber ajuda exatamente no que precisam e descobrir conteúdos relevantes na web que talvez não encontrassem de outra forma.
Para o Google a IA está impulsionando a transformação mais significativa da história da pesquisa e, consequentemente, da forma como o criador de conteúdo escreve.
A palavra-chave continua existindo. O que muda é a perspectiva do conteúdo: antes mais objetivo e genérico, agora mais reflexivo e específico.
“People come to Google Search for help with questions big and small. In the past, that meant translating those questions into keywords — but as we’ve brought frontier AI capabilities to Search, people can ask the questions that are really on their mind, get help with exactly what they need, and discover great content from the web they might not have otherwise found. In short, AI is driving the most significant transformation of Search in its history.” — Google
Como as pessoas estão pesquisando diferente com o AI Mode
A maior mudança no comportamento de pesquisa é a possibilidade de manter conversas contínuas. Na busca tradicional, quando o usuário precisava de mais informações do que encontrava em um link, precisava sair do site e fazer uma nova pesquisa para acessar outro.
O AI Mode melhorou essa experiência de forma significativa: a pesquisa passa a ter um tom conversacional. A pessoa pergunta exatamente como pensa, gerando uma conversa mais fluida, mais aprofundada e com questionamentos mais longos.
As pessoas não estão mais preocupadas em encontrar a “forma certa” de formular suas perguntas, elas simplesmente perguntam.
Segundo dados do Google, uma pesquisa no AI Mode tem, em média, o triplo do tamanho de uma busca tradicional. E à medida que os usuários ganham mais familiaridade com a ferramenta, vão refinando suas perguntas para obterem respostas cada vez melhores.
Busca multimodal: texto, voz e imagem no mesmo lugar
As pessoas não estão apenas fazendo perguntas por meio da linguagem natural, também estão pesquisando em diferentes formatos. Usam voz, imagens, vídeos e até realizam pesquisas ao vivo, em conversas naturais e fluidas.
Mais de uma em cada seis pesquisas no AI Mode já são multimodais (não baseadas em texto), e as buscas com entrada por imagem estão entre os tipos de consulta que mais crescem, com aumento superior a 40% mês a mês desde o lançamento.
Os 10 tópicos que as pessoas mais pesquisam no AI Mode
Aqui fica claro que muitos desses conteúdos ainda dependem dos criadores para existirem. O blog ou site ainda pode ser uma ferramenta eficaz para gerar demanda, desde que usado corretamente, com foco em um território de atuação definido e consistência para construir autoridade.
- Criatividade e geração de conteúdo: escrita, brainstorming, edição de imagem ou mídia
- Educação e conhecimento: informações factuais e pesquisas de aprendizagem
- Moda e beleza: recomendação de produtos, reviews e conselhos de estilo
- Comida e bebida: recomendações de restaurante, bar e café
- Saúde e bem-estar: exercício, informações médicas, nutrição e dieta
- Mídia e entretenimento: filmes, séries, jogos, música, ingressos para eventos
- Desenvolvimento pessoal e profissional: carreira e finanças
- Produtividade e tarefas práticas: tutoriais e traduções
- Tecnologia e código: hardware, reviews de gadgets, programação
- Viagem: voos, hotéis, transporte, atrações locais e atividades
Brainstorm: as pessoas usam o Google para pensar, não só para encontrar informações
De acordo com dados do Google Trends, consultas relacionadas a brainstorming no AI Mode cresceram 30% mais rápido do que as consultas gerais desde o lançamento há um ano. Pesquisas iniciadas com expressões como “para onde ir”, “para onde eu deveria ir” e “ideias para” também estão em alta.
Em vez de recorrer à busca apenas quando já sabem exatamente o que querem, as pessoas estão usando a ferramenta para descobrir ideias, explorar conceitos abertos e dar continuidade a conversas de forma natural.
Entender como esse comportamento se manifesta no seu nicho é uma oportunidade real: é possível criar conteúdo que preencha essas lacunas de conhecimento e, sendo específico, atrair um público mais qualificado.
Veja as principais atividades pesquisadas quando os usuários fazem conversas de acompanhamento com frases como “como começar” ou “guia para iniciantes” (e eu não sabia disso quando decidi criar meu blog sobre escrita):
- Escrita
- Leitura
- Streaming
- Corrida
- Desenho / Esboço
- Cozinhar
- Fotografia
- Violão
- Natação
- Dança
Reviews e UGC ainda têm espaço com o AI Mode?
Têm, só que com um papel diferente. De acordo com dados do Google Trends, pesquisas iniciadas com “qual” cresceram 40% mais rápido do que as consultas gerais do AI Mode nos últimos seis meses. As expressões “qual deles” e “qual escolher” lideram esse crescimento, indicando que as pessoas estão usando o AI Mode cada vez mais para auxiliar na tomada de decisões.
As pessoas recorrem ao Modo IA diariamente para fazer compras nos Estados Unidos, e o Google segue lançando novos recursos para tornar essa experiência ainda mais fluida. O conteúdo UGC (gerado pelo usuário) mantém seu valor nos blogs, mesmo que não gere o volume de acessos de antes.
Aqui também se torna necessário que os sites de e-commerce tenham descrições completas, muitas fotos dos produtos e informações atualizadas, para aumentar as chances de serem indicados nos resultados de busca do AI Mode.
Principais categorias de compras com perguntas de acompanhamento no AI Mode
- Eletrônicos
- Livros / Filmes / Música
- Vestuário
- Saúde / Beleza
- Automotivo
- Casa / Jardim
- Mercado / Alimentos
- Reforma e melhorias para o lar
- Brinquedos / Jogos
- Esportes / Atividades ao ar livre
O que você e eu podemos fazer agora
Depois de ler esse documento, organizei no meu Moleskine alguns pontos para aprofundar aqui no blog. Ao longo dessa jornada, vou documentar em tempo real o que está dando resultado, e o que ainda precisa melhorar.
Afinal, todos sabemos que há uma grande diferença entre o que o Google diz, o que a IA recomenda e o que sentimos na prática.
O Google afirma que o AI Mode beneficia a descoberta de conteúdo, mas os dados de tráfego orgânico que tenho acompanhado contradizem isso. Parafraseando o bordão da Globo: isso o Google não mostra.
O que você pode fazer agora (e o que vou fazer por aqui também):
- direcionar o blog a um tema específico e suas variações dentro dele;
- trazer sempre pontos de vista pessoais, dados e referências atuais;
- documentar processos;
- criar conteúdos comparativos;
- manter uma comunicação clara e acessível;
- evitar temas genéricos, como “como escrever melhor em X passos”;
- continuar investindo em SEO. Ele não está morrendo, está evoluindo;
- continuar escrevendo, porque o Google valoriza a constância, e acredito em um mundo de leitores de blogs e livros; é só encontrar o público certo.
Se quiser acessar o material completo do Google, está aqui.
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Imagem de Pexels


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